ErosOs soluços de Lua atravessaram o peito de Eros como golpes que não encontravam carne, mas alcançavam diretamente algum lugar muito mais profundo e perigoso dentro dele.Um lugar que ele nem mesmo acreditava existir.Sua alma.Ela permanecia encolhida em seu colo, o corpo machucado buscando abrigo contra o dele, enquanto tentava terminar uma frase que jamais deveria ter sido obrigada a pronunciar.Cada palavra saía partida pelo choro, tropeçando em respirações curtas, e sentia os dedos dela se fecharem com desespero sobre sua camisa, como se ainda fosse aquela adolescente sozinha no caminho de casa, cercada por garotas cruéis, pedras e cabos de vassoura, procurando em Renato uma proteção que o próprio covarde ajudou a tornar necessária.- Você disse que sua mãe faleceu, mas e o seu pai? Não pensou em contar para ele tudo o que estava acontecendo com você? Ele não percebeu nada? – Eros se obrigou a dizer, evitando demonstrar o ódio nefasto que tomava seu interior.- Meu pai era bom
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