O reflexo do sol nas águas do Rio Pinheiros já não encontrava a película opaca, oleosa e escura que caracterizara o canal durante mais de meio século de negligência industrial. Graças à atividade ininterrupta e descentralizada das balsas de fitorremediação desenhadas pelo Estúdio H, a opacidade da água deu lugar a uma clareza surpreendente. O verdadeiro indicador de sucesso da engenharia paramétrica, contudo, não veio das telas de computador ou dos laudos laboratoriais; veio das próprias margens do rio, onde a vida teimava em reconquistar o seu espaço.Nas primeiras horas da manhã, um grupo de capivaras cruzou calmamente as passarelas de madeira composta, instalando-se sobre os novos jardins flutuantes. Logo depois, garças-brancas e martins-pescadores começaram a pousar nos módulos de tratamento, utilizando a vegetação filtrante como ponto de caça. Para uma metrópole que havia se acostumado a virar as costas para os seus próprios rios, aquela cena parecia um vislumbre de um futuro out
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