O céu sobre a região sudeste começou a mudar de cor ainda nas primeiras horas daquela quinta-feira, assumindo um tom cinzento-chumbo que os meteorologistas classificavam como o prenúncio de um evento climático extremo. Uma frente fria de proporções históricas, alimentada pelas anomalias térmicas do oceano, marchava em direção à região metropolitana. Não seria apenas mais uma chuva de verão; as projeções indicavam um volume de precipitação esperado para três meses desabando em menos de vinte e quatro horas. Para o Estúdio H, aquele cenário representava o teste de estresse definitivo. Toda a infraestrutura construída nos últimos anos — as habitações modulares, a microgrid energética Helios e as balsas de fitorremediação do Rio Pinheiros — seria colocada à prova diante da fúria da natureza.Helena Vitruvia estava no centro de comando do pavilhão ferroviário, mantendo o seu habitual rigor cirúrgico diante dos painéis de monitoramento. Ela segurava o seu telefone celular, que vibrava conti
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