Ninguém respirou.O monitor antigo estalava, coberto por interferências e linhas horizontais. A imagem tremia constantemente, como uma gravação deteriorada pelo tempo. Ainda assim, a menina continuava ali, imóvel, terminando de virar o rosto em direção à câmera.Quando seu perfil finalmente apareceu...Lívia deu um passo para trás.— Não...Sua voz saiu quase inaudível.Arthur segurou seu braço antes que ela perdesse o equilíbrio.A menina da tela não era idêntica a ela.Era jovem demais para isso, talvez tivesse seis ou sete anos. Os cabelos eram mais curtos, presos por uma fita branca. O rosto infantil ainda guardava traços arredondados.Mas havia algo impossível de ignorar.Os olhos.A mesma tonalidade incomum de verde.O mesmo formato delicado.E, principalmente, a mesma expressão melancólica que Arthur tantas vezes vira em Lívia quando ela mergulhava nas lembranças que não conseguia explicar.Clara levou a mão à boca.— Meu Deus...Gabriel aproximou-se do monitor.— Essa gravação
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