A noite já tinha avançado quando meu telefone vibrou sobre a mesa.Eu ainda estava no escritório.Sozinho.A cidade do lado de fora seguia viva — luzes, movimento, decisões sendo tomadas — enquanto, ali dentro, tudo estava concentrado em uma única direção.Ela.Sempre ela.Atendi sem desviar o olhar da janela.— Espero que tenha algo concreto.Do outro lado, a resposta veio sem rodeios.— Tenho mais do que isso.Virei lentamente, já sentindo a mudança no tom.— Comece.Houve um breve ruído de papéis sendo organizados.— A mulher que dirigia o carro se chama Carla Mendes. Não tem antecedentes criminais, mas está afundada em dívidas. Empréstimos, cartões, cobranças judiciais. Um perfil... vulnerável.Eu caminhei até a mesa, apoiando as mãos na superfície fria.— Alguém fácil de comprar.— Exatamente.A lógica era simples. E, justamente por isso, eficiente.— Suzana não se aproximou diretamente — ele continuou. — Usou uma empresa intermediária. Uma dessas "consultorias" que existem só no
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