Os dias foram passando quase sem que Luna percebesse.As manhãs começavam cedo, longas horas na água, o ritmo exigente dos treinos físicos, análises de vídeo, refeições calculadas, risadas soltas à noite. Tudo se repetia — e, aos poucos, deixava de parecer estranho.Luna começou a entrar naquele ritmo.Cada dia que passava, sentia-se menos visitante e mais parte da casa. Já sabia onde ficavam as canecas preferidas, reconhecia os silêncios e os exageros de cada um, entendia quando alguém precisava ser deixado em paz. O corpo se adaptava, e a mente também.Até que, numa noite tranquila, as fotos da campanha chegaram.Luna estava deitada na cama, laptop apoiado sobre as pernas, o quarto iluminado apenas pela luz fria da tela. Abriu o e‑mail com cuidado — como se aquilo pudesse morder.A primeira imagem apareceu, e o ar lhe fugiu dos pulmões.Ela e Ethan na areia, se olhando e rindo. Outra foto dentro d’água, próximos demais. Eram fotos com olhares e sorrisos que não tinham sido ensaiados.
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