Os meses passaram devagar, mas passaram. Depois de tudo o que aconteceu, aquilo por si só já parecia uma vitória enorme. Karol ainda carregava cicatrizes emocionais profundas do relacionamento com Alex. Algumas noites continuavam difíceis, alguns barulhos ainda faziam o corpo dela tensionar automaticamente e existiam momentos em que a culpa tentava voltar silenciosamente para a cabeça dela, principalmente quando Sofia perguntava do pai olhando para o céu pela janela do apartamento com aquela inocência dolorosa que só crianças pequenas conseguiam ter. Mesmo assim, aos poucos, a vida começou a seguir em frente de verdade. Não de maneira perfeita, não de maneira mágica, mas começou. A terapia ajudou muito mais do que Karol imaginava que ajudaria. No começo ela odiava entrar naquela sala e falar em voz alta coisas que passou anos fingindo que não machucavam tanto assim. O simples fato de admitir medo já fazia ela se sentir fraca. Depois veio a culpa. Depois a vergonha. Depois a raiva. E
Leer más