Karol quase não foi. Quando recebeu a mensagem de Ava pedindo para conversar depois do expediente, a primeira reação dela foi inventar qualquer desculpa que evitasse aquele encontro. Dor de cabeça, trabalho acumulado, a filha esperando em casa, qualquer coisa serviria. Porque, no fundo, ela já sabia exatamente sobre o que seria a conversa. Matteo contou. Aquilo ficou óbvio no instante em que Ava escreveu apenas “preciso te ver”, e sinceramente Karol não sabia se estava preparada para olhar nos olhos de alguém que sentisse pena dela. Nos últimos meses, ela tinha se acostumado tanto a esconder tudo que a ideia de ser vista de verdade parecia pior do que continuar sofrendo em silêncio. Era humilhante. Principalmente para alguém como ela. Uma mulher inteligente, formada, respeitada profissionalmente, acostumada a defender outras mulheres em situações parecidas dentro de tribunais. Às vezes a própria consciência parecia debochar dela, porque era fácil dizer para clientes denunciarem, rec
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