Adam já não estava no mesmo estado da última vez que saiu da sala do pai, mas isso não significava que estava melhor. A diferença era mais sutil e, ao mesmo tempo, mais perigosa. A raiva não tinha desaparecido, só tinha mudado de forma. Não era mais explosiva, visível, fácil de identificar. Agora estava controlada, contida, direcionada. E isso deixava tudo mais tenso, porque não havia mais descarga imediata, só acúmulo.Ele estava no escritório particular, encostado na mesa, o celular na mão sem realmente olhar para a tela. O gesto parecia automático, quase mecânico, como se estivesse apenas ocupando o tempo enquanto a cabeça rodava em outro lugar. A mente não desacelerava. Cada conversa dos últimos dias voltava com mais clareza, mais peso, mais consequência.Quando o telefone tocou, ele não se surpreendeu. Atendeu na segunda chamada.— Fala.A voz saiu direta, sem esforço, mas já carregada.Do outro lado, o advogado não perdeu tempo.— O juiz marcou a audiência.Adam ficou em silênci
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