O silêncio estupefato que se instala na mesa principal após a minha declaração é quase palpável. O diretor financeiro pisca duas vezes, com o sorriso cortês congelado no rosto, sem saber exatamente como reagir à minha falta de desculpas. A audácia de apresentar Júlia não apenas como minha acompanhante, mas como a mulher da minha vida, quebra o protocolo invisível de mentiras daquele salão. Sinto os dedos dela relaxarem minimamente sob a mesa, e a minha mão, espalmada com firmeza em suas costas, massageia o tecido azul-noturno para lembrá-la de que o território é nosso.— Uma... uma bela declaração, Doutor Mário — o homem gagueja, tentando recuperar a compostura corporativa. — Seja muito bem-vinda à nossa noite, Júlia.— Obrigada, boa noite — ela responde. A voz dela sai mansa, mas perfeitamente firme, sem gaguejar, sustentando o olhar do diretor com uma altivez que faz o meu peito inflar de orgulho.O garçom se aproxima silenciosamente e serve o primeiro prato do menu. O tilintar de t
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