Capítulo 56 João Miguel Prass Fernandes Saímos do velório direto pra casa. O silêncio dentro do carro não incomodou. Ele só ficou ali, denso, acompanhando a gente até a porta de casa. Não precisei dizer nada para que Astrid entrasse comigo no mesmo ritmo, nem para que subisse as escadas logo atrás. A presença dela era constante agora. Natural. Como se já fizesse parte de tudo. Assim que entrei no quarto, comecei a tirar o terno devagar, sentindo o peso do dia ainda grudado no corpo. O tecido deslizou pelos ombros, e o movimento puxou o ferimento mais do que eu gostaria. Ignorei. Atrás de mim, ouvi o som leve da porta fechando. Não olhei de imediato, mas sabia que era ela. Quando virei um pouco o rosto, Astrid já estava ali, mais próxima do que antes, o olhar direto em mim, atento demais para ser só preocupação. Ela não falou nada, só se aproximou mais um passo, os dedos indo direto para o curativo com cuidado, e então começou a tirar minha camisa. — Você forçou de novo — d
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