Capítulo 47 Don João Miguel Fechei os olhos por um instante, sentindo o corpo dela ceder contra o meu como se, finalmente, tivesse permitido que tudo aquilo escapasse depois de anos sendo contido à força. A mão dela apertou o tecido da minha camisa com força, os dedos se fechando como se precisasse se ancorar em alguma coisa real para não se perder de novo, enquanto o choro vinha em ondas desordenadas, primeiro mais intenso, depois quebrado, irregular, até começar a diminuir aos poucos, ainda carregado de tremor, ainda pesado, mas já não descontrolado como antes. Ela não me respondeu mais, eu também não perguntei. Só se manteve ali, próxima, como se o próprio corpo estivesse tentando se reorganizar depois de tudo que tinha sido dito e sentido. Ajustei o braço ao redor dela com cuidado, sem pressionar, sem invadir, apenas mantendo presença, deixando claro que eu estava ali e não ia sair, enquanto o tempo passava sem pressa e o silêncio deixava de ser pesado para se tornar necessár
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