Capítulo 89 Dias depois, Lia retornou ao hospital da cidade para realizar os exames complementares. O cheiro de antisséptico e o silêncio dos corredores brancos faziam seu coração apertar, mas, ao entrar na sala de ultrassom, o mundo pareceu parar.— Ouça isso — disse a médica, com a voz suave.O som preencheu o quarto: um galope frenético, constante, como o bater de asas de um pássaro valente. O coração dele. Lia fechou os olhos, e as lágrimas escaparam sem permissão.— Quinze semanas — a médica sorriu, deslizando o transdutor pelo ventre ainda discreto de Lia. — Ele está perfeito.Ao sair dali, Lia não caminhava; ela flutuava em uma bolha de proteção. Em uma loja de esquina, seus dedos tocaram um conjuntinho de algodão branco, tão macio que parecia uma nuvem. Ao apertar o tecido contra o peito, ela sentiu, pela primeira vez em meses, o amor havia acabado de assumir o comando.A paz durou o tempo de uma viagem de volta. No vilarejo, enquanto Seu João acariciava a roupinha com olhos
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