Capítulo 95Os últimos meses haviam transformado o corpo de Lia em um território desconhecido e exaustivo. Cada amanhecer trazia o peso das costas latejando e o esforço hercúleo de apenas respirar. A gravidez, que em fotos parecia um estado de graça, na vida real era uma maratona de pés inchados e noites em claro.Mas, em meio ao cansaço, havia Eliote.Ele se tornara o ritmo silencioso daquela casa. Era o som da água fervendo para o chá de madrugada, o cheiro de frutas frescas cortadas religiosamente todas as manhãs, e as mãos firmes que, ao massagearem seus ombros, pareciam segurar os pedaços de sua alma para que não caíssem. Eliote não pedia permissão; ele simplesmente preenchia os espaços vazios que Samuel havia deixado com uma paciência que beirava o sagrado.Naquela noite, a chuva lavava as janelas da casa de madeira, isolando-os do resto do mundo. Sentados no sofá sob a mesma manta, o calor de Eliote era o único ponto de ancoragem de Lia. Na televisão, um romance se desenrolava,
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