Eu sustento o olhar dele, um desafio silencioso que se estende por um instante que parece eterno. Os cabelos negros de Gabriel, sempre impecáveis, emolduram um rosto que, apesar da habitual frieza, agora exibe uma tensão quase palpável. Seus olhos escuros, que geralmente guardam segredos e decisões inabaláveis, piscam com algo que não consigo nomear. Não é apenas raiva, nem ciúme puro, e muito menos medo. Talvez seja uma mistura perigosa de tudo isso, um turbilhão de emoções que ele luta para conter, mas que se revela na intensidade daquele olhar que me prende.— Hoje eu fui. Ele precisava disso. Será que você entende isso? — repito com uma pergunta, minha voz mais firme do que me sinto por dentro. A frase é curta, mas carrega o peso de tudo o que aconteceu entre nós, de todas as barreiras que ele tenta impor e que, de alguma forma, eu insisto em transpor. A cada dia, a convivência forçada sob o mesmo teto, a farsa do nosso casamento de conveniência, nos empurra para um limite tênue on
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