Rafael BarcellosSe alguém tivesse me dito, há algum tempo, que eu passaria um sábado inteiro em um churrasco de família, cercado por pessoas barulhentas, espontâneas, invasivas no melhor e no pior sentido da palavra e que, ainda assim, me sentiria confortável, provavelmente teria desacreditado.Mas ali estava eu, no meio da família de Anny e contra toda a lógica que sempre guiou a minha vida, não me sentia deslocado, muito pelo contrário.Desde o momento em que cheguei, ainda tentando entender a dinâmica daquele ambiente, fui absorvido por algo que não sabia exatamente como nomear. Não era organização. Não era previsibilidade. Não era controle, era calor.Um tipo de calor humano que não existia na minha realidade.Observei mais uma vez o ambiente ao meu redor enquanto segurava meu copo. Pessoas rindo alto, crianças correndo sem qualquer preocupação, discussões surgindo e sendo resolvidas quase no mesmo instante. Nada ali seguia uma estrutura lógica e, ainda assim, tudo funcionava de
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