O som do monitor cardíaco era o primeiro sinal de que ainda havia vida. Beeps compassados, insistentes, cortando o silêncio branco. O cheiro de desinfetante preenchia o ar. As luzes do teto queimavam os olhos. Paolo tentou se mexer, mas o corpo parecia feito de pedra. O braço preso por agulhas, o peito envolto em ataduras. Por alguns segundos, o mundo foi só dor e confusão. Depois, a memória começou a rasgar o nevoeiro, voltando em pedaços. O médico entrou, acompanhado de uma enfermeira. Ambos falaram algo sobre recuperação, trauma, sorte por estar vivo, palavras que soavam distantes, borradas. Mas Paolo não ouvia. Dentro da própria mente, ouvia outros sons… o estalo de armas sendo carregadas, passos apressados sobre chão molhado, gritos em italiano. E o nome, o nome que voltou com o mesmo peso de um golpe: Fabbri. — Senhor, pode me ouvir? — perguntou o médico. Paolo piscou, forçando o foco. — Qual é seu nome, senhor? — completou a enfermeira, abrindo uma prancheta. E
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