AresOs dias deixaram de ter qualquer distinção entre si. Tudo passou a seguir uma repetição mecânica e exaustiva, como se o tempo tivesse se reduzido a uma sequência inevitável entre hospital, casa e negócios, sem espaço para pausa ou respiro. Ontem não consegui vir. Precisei levar Apolo para tomar vacina, e o efeito foi imediato, deixando-o abatido, irritadiço, mais sensível do que o normal. Não há escolha quando se trata dele. Ainda assim, mesmo cumprindo cada obrigação, existe algo que permanece fora do lugar.Irina.A ausência dela não é silenciosa. É constante, invasiva, como uma presença que se impõe mesmo quando não deveria existir. Sempre mantive o controle de tudo ao meu redor, sempre soube exatamente como agir, o que dizer, quando decidir. Mas isso não se encaixa na mesma lógica. Não se trata de poder, nem de domínio.Trata-se dela.E sem ela, tudo se desloca.Entrei no quarto em silêncio, como tenho feito todos os dias, consciente de que qualquer ruído parece inadequado n
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