Irina Eu não consegui dormir durante toda a noite. Mesmo com a medicação fazendo efeito no meu corpo, minha mente continuava acelerada, como se ainda estivesse presa naquele lugar. Cada vez que eu fechava os olhos, as lembranças voltavam com força, não como algo distante, mas como se ainda estivesse acontecendo. O olhar dele, a forma como falava baixo, como se tivesse controle absoluto sobre tudo, e a certeza constante de que eu não tinha saída. Não era apenas memória, era sensação, era presença, era medo ainda vivo dentro de mim. Mas nada daquilo se comparava ao silêncio. A ausência do meu filho era o que realmente me destruía. Não ouvir o choro dele, não sentir o peso pequeno nos meus braços, não saber se ele estava bem naquele exato momento, tudo isso criava um vazio que não podia ser ignorado. Era físico, constante, sufocante. Nenhuma dor no meu corpo chegava perto do que aquilo causava. Quando o médico entrou no quarto pela manhã, eu já estava sentada na cama, sem qualquer in
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