Chantelle regressou a casa. O seu pequeno apartamento, modesto mas acolhedor, envolveu-a como um casulo reconfortante. As paredes, pintadas em tons suaves, traziam a marca da sua personalidade — pequenas molduras, algumas plantas, livros amontoados numa estante barata. Nada de luxuoso, mas tudo tinha alma. Ao contrário da casa do pai, gelada e imponente, ali sentia-se em casa. Em segurança. Em paz.Tirou os sapatos, suspirou longamente, depois deixou-se cair no sofá. Mal tinha pousado o telemóvel na mesa de centro quando uma notificação apareceu no ecrã. Uma mensagem, sem assinatura. Como sempre.« Esta noite, 23h. »Franziu o sobrolho. Era invulgar. Aquele homem que a comprava na sombra nunca tinha pressa. Contactava-a com intervalos espaçados, como se quisesse manter uma distância fria e metódica. Mas naquela noite, chamava-a de novo, apenas dois dias depois do último encontro.Algo estava errado, mas ela foi mesmo assim.Às 22h50, saiu do apartamento, como uma autómata, os gestos p
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