A casa ficou silenciosa depois que eles saíram.Mas não era um silêncio de alívio.Era o tipo que vem depois de um impacto — quando tudo ainda está no lugar, mas você sabe que nada continua igual.Eu não me movi imediatamente.Arthur também não.Ficamos ali, no meio da sala, como se o espaço ainda estivesse ocupado pela presença deles, pelas palavras não ditas, pelo que tinha sido finalmente exposto.— Isso foi só o começo — ele disse.Inclinei levemente a cabeça.— Eu sei.— Eles não vão recuar.— Nem eu.Silêncio.Curto.Mas carregado.Arthur passou a mão pelo cabelo, andando alguns passos pelo ambiente como se estivesse reorganizando tudo na mente — riscos, próximos movimentos… e talvez algo mais.— Renata — ele disse.— Sim.— Você tinha certeza.— Eu tinha padrão.— Ela sempre foi calculista.— Ela continua sendo.Silêncio.Mais técnico.Mais frio.— Isso muda o cenário — ele continuou.— Expande.— Complica.— Esclarece.O olhar dele veio até mim.Mais atento.— Você vê isso com
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