A porta ainda vibrava levemente quando o silêncio caiu.Pesado.Denso.Quase físico.Eu não me movi imediatamente.Nem Arthur.Ficamos ali, na mesma sala onde segundos antes o jogo tinha virado de nível, onde máscaras caíram e intenções ficaram expostas sem espaço para recuo.E agora…Só nós dois.Sem testemunhas.Sem plateia.Sem necessidade de fingir.Arthur passou a mão pelo rosto lentamente, como se estivesse reorganizando tudo — estratégia, risco… ou algo mais.— Você sabe o que acabou de fazer — ele disse, a voz mais baixa, mais carregada.Inclinei levemente a cabeça.— Sim.— Isso não foi só pressão.— Foi decisão.Ele virou o rosto na minha direção.Os olhos mais escuros.Mais intensos.— Você atravessou uma linha.Um pequeno sorriso surgiu nos meus lábios.— Eu não trabalho com linhas.Silêncio.Mas não vazio.Carregado.Arthur deu um passo na minha direção.Devagar.Controlado.Mas havia algo ali…Menos contido do que antes.— Você gosta disso — ele disse.— Do quê?— Da ten
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