Arthur já tinha ouvido Pedro ameaçar sair de casa tantas vezes nos últimos dois anos que, no fundo, sempre achou que aquilo morreria no campo das intenções. Era quase um bordão entre eles: “qualquer dia eu saio”. Só que, daquela vez, não era mais discurso.Pedro estava de pé perto da janela da própria sala, a gravata frouxa, o rosto abatido pela noite mal dormida.— Tive uma senhora briga com a Lilian… e com a Vale.Arthur franziu a testa imediatamente.— Brigou com a sua filha? — perguntou, menos brincalhão do que de costume. — O que a coitada tem a ver com isso?Pedro passou a mão pelo rosto, ainda irritado com a lembrança.— Eu conversei com ela ontem, como te disse. Achei que ela fosse entender. — Deu um riso curto, sem humor. — A “madura” chegou em casa e contou tudo pra mãe.Arthur cruzou os braços.— É a mãe dela.— E eu sou o pai dela! — a resposta saiu no mesmo tom da noite anterior, impulsiva. — A única pessoa que tem que estar feliz é a mãe dela?Arthur balançou a cabeça, t
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