Ethan DoyleEu sempre achei que ter coragem era enfrentar um promotor agressivo em pleno tribunal, com as câmeras apontadas e a sala repleta de jornalistas ávidos por sangue. Achei que coragem era desmontar testemunhas hostis, virar júris céticos, transformar derrotas iminentes em vitórias improváveis. Passei anos acreditando que a bravura morava nos grandes gestos, nas defesas espetaculares, nos acordos milionários fechados sob pressão.Até descobrir que estava completamente enganado.Coragem, a verdadeira e visceral coragem, é olhar para um cliente milionário, alguém que pode destruir sua carreira com uma ligação, alguém cujo sobrenome abre portas que você nunca mais conseguirá abrir sozinho e dizer uma palavra simples, devastadora e irreversível: “não”.O caso desta manhã era um divórcio. Mais um entre centenas que passaram pela minha mesa ao longo dos anos. Deveria ser algo rotineiro. Deveria ser apenas mais um arquivo, mais uma negociação fria, mais uma estratégia calculada para
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