ISABEL LINORES Ver o homem que me aterrorizou a vida inteira jogado aos meus pés, soluçando miserável, não me trouxe a sensação de vingança que eu imaginei que teria. Não senti vontade de rir da cara dele, de tripudiar sobre a sua desgraça ou de gritar que ele merecia tudo aquilo. No fundo, enquanto o vento frio do fim de tarde batia no meu rosto no estacionamento quase vazio do hospital, a única coisa que eu sentia era uma pena profunda e lamentável. Pena, e um grande alívio por finalmente perceber, com todas as letras, que ele não tinha mais nenhum poder sobre mim. As correntes que me prendiam a Elias Linores haviam se partido para sempre. Ele continuou chorando, com as mãos agarradas à barra do meu casaco. — Por favor, Isabel... Só me deixe ficar naquele apartamento antigo. Respirei fundo, e abri o zíper da minha bolsa. Tateei o interior até os meus dedos encontrarem o chaveiro que eu guardava no fundo. Puxei a cópia das chaves do antigo apartamento onde eu e a minha mãe moram
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