CHARLES KINGSTON Eu passei a semana inteira torcendo, para que as palavras do meu avô fossem apenas uma ameaça vazia. Um blefe de um velho arrogante querendo me torturar psicologicamente. Afinal, Richard Kingston era um homem ocupado. Infelizmente, eu subestimei a capacidade dele de me perturbar. No sábado seguinte, exatamente ao meio-dia, o som da campainha do nosso apartamento ecoou pelo corredor. Isabel, que estava terminando de arrumar a mesa, abriu um sorriso radiante e largou os guardanapos. — Deve ser ele! Vou abrir! — ela anunciou, animada. Fechei os olhos na cozinha, respirando fundo enquanto segurava uma travessa de frango assado com batatas. Dessa vez, eu não comprei comida em um restaurante e transferi para as panelas. Eu havia, de fato, tentado fazer o almoço sozinho depois de receber duas aulas essa semana. — Senhor Kingston! Que alegria recebê-lo novamente — ouvi a voz doce e genuína da minha esposa na entrada. — O prazer é todo meu, minha querida Isabel. E, po
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