Sabe o que eu mais gostava em Londres? O anonimato. Poder ser apenas uma assistente desconhecida, ganhar e gastar meu próprio dinheiro. Poder sair quantas vezes quisesse, sozinha, sem ter que prestar contas. Comer em qualquer canto, caminhar sem planos, sem rumo, simplesmente respirar longe de um par de olhos perdigueiros.Muitas sextas, depois do expediente na Scalibur, quando Carl me deixava na calçada de casa, eu me libertava da máscara de Laura Durán. A saia lápis e o blazer davam lugar a um vestido rodado e sapatilhas confortáveis. Então desbravava os bairros sem hora para voltar. Apenas eu, a cidade e as lembranças.Conheci a Rua 8 numa dessas noites. Chamavam de rua, mas era uma pequena praça à beira de um canal estreito, iluminada por barracas que vendiam bratwurst, batata frita e uma variedade de salgados de todos os cantos da Europa. Eu matava a saudade da minha terra querida. Minha doce Madrid. Pensava na minha avó. Em Alonso. Me perguntava o que ele estaria fazendo naquele
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