Trancada no banheiro da Scalibur, eu pressionava o celular contra a orelha, andando de um lado para outro, porque minha vida dependia daquela ligação. Para piorar, a voz rouca de Michael ecoava no fundo da mente: "Laura, ligue daqui mesmo da minha sala. Também quero falar com a pintora".Eu estava brincando com fogo. Alonso me avisara mil vezes: "Nada de contatos, Laura, até seu casamento ser dissolvido". Era perigoso, mas o desespero às vezes é a única saída. Eu precisava que Alonso mentisse só mais uma vez por mim. Precisava que Laura Duarte, a artista, morresse para que Laura, a assistente, pudesse sobreviver.— Ela desistiu da carreira, Alonso. Casou e se mudou para o Japão com o marido. Diga isso e nada mais — sussurrei, as mãos suadas escorregando na bancada de mármore da pia.— Laura, você enlouqueceu. Que imprudência! Me ligar e mentir para esse homem que você mal conhece.— Eu sei, amigo. Mas só dessa vez. Eu não tenho tempo de te explicar direito.Ele deu um suspiro pesado e
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