108. A Capela
VALENTINANuma parte mais mansa da praia, Thiago quis se jogar no sal do mar para levar a lama de seu corpo — ele, pela primeira vez, me pareceu com medo de morrer. Um touro, que vence o toureiro, ainda pode morrer por conta de bactérias… tamanho quase nunca é solução. O mar também não é: ia levar a lama, mas se ele tivesse uma infecção, não era aquela água próxima a um esgoto que iria salvá-lo.Mas não seria eu que diria isso a ele.Continuamos circundando o perímetro em silêncio.A paisagem mudou um pouco: ali, os prédios não estavam submersos, mas cacos de casas do bairro à beira-mar restavam: meia-paredes, telhados arrancados, árvores caídas, lama até onde nosso olhar avistava, um mangue crescendo. E sabíamos: uma pisada em falso, e nós seríamos sugados pelo lençol. Nos arriscamos pulando entre as paredes menos carcomidas — eu sempre na frente, pois seria mais fácil tudo desabar com o peso de Thiago.— Ali, Pinheiros-mansos — apontei para o antigo Parque Esmeralda.— Todos sem fol
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