A mansão estava mergulhada em um silêncio tão profundo que parecia sólido.O tipo de silêncio que só existe depois da meia-noite, quando até os sons da cidade lá fora perdem o fôlego e o mundo parece ter concordado, por algumas horas, em respirar mais devagar. As luminárias do jardim continuavam acesas, jogando sua luz suave e indiferente sobre o caminho de pedra. A fonte borbulhava. O relógio no corredor marcava o tempo com aquela paciência monótona que as horas pequenas têm.No quarto de Anitta, no andar inferior da mansão, tudo estava quieto.Ela havia adormecido sem perceber exatamente quando — da forma que o corpo assume o comando quando a mente finalmente esgota todas as suas resistências. O cansaço daquele dia havia se acumulado em camadas: a tensão na praça, aquela sensação que não passara completamente, a cozinha, o calor das mãos de Antony na sua cintura, o olhar de Helena parada na entrada com aquela consciência silenciosa nos olhos.Tudo havia drenado dela até não sobrar m
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