A luz do fim da tarde dourava tudo em El Segundo com aquela tonalidade quente que só a Califórnia sabia oferecer. Eu caminhava sem pressa pelas calçadas de tijolos, o zíper da jaqueta semiaberto, os óculos escuros pendurados na gola da camiseta. Era um daqueles raros dias de folga — sem exercícios de voo, sem reuniões, sem relatórios. Só eu, o vento e essa cidade que, pouco a pouco, começava a parecer lar de verdade.Passei por uma cafeteria local onde uma garota ria enquanto um cachorro tentava roubar o croissant dela, depois por uma vitrine de loja vintage onde discos antigos giravam numa vitrola ligada. Sempre gostei dessa parte de El Segundo, desse charme quase ingênuo de cidade pequena, emoldurado por palmeiras altas e pelo oceano respirando logo ali, ao fundo. Era simples. Real. E, de algum jeito, combinava comigo agora.Foi então que parei.A vitrine da joalheria.Pequena, elegante, discreta. Um anel solitário em destaque sob a luz suave do display. Ouro amarelo, delicado, com
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