**Ponto de Vista: Dante**O cheiro de sexo e suor ainda pairava no ar do quarto, misturado ao aroma metálico das esmeraldas que jaziam espalhadas pelo chão, como gotas de sangue verde sobre o mármore. Observar Leyla dormir após o que fizemos era o meu momento de maior clareza e, paradoxalmente, de maior tormento. Ela estava deitada de bruços, o lençol cobrindo apenas metade de suas costas, revelando as marcas avermelhadas que meus dedos haviam deixado em sua pele. Ela parecia em paz, mas eu sabia que era uma paz de exaustão, não de espírito.Levantei-me da cama com o silêncio de um fantasma. Roma, do lado de fora das janelas pesadas, começava a despertar sob um manto de névoa cinzenta. Vesti meu roupão de seda preta e caminhei até a varanda, acendendo um charuto. A fumaça subiu em espirais lentas, desaparecendo no ar frio da manhã.A noite na recepção do Marquês de Valois havia sido um sucesso estratégico, mas um fracasso emocional. Eu a testei. Deixei-a à beira do precipício, permiti
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