Estava em frente ao espelho como se procurasse confirmar que era eu mesma que estava prestes a sair para um reencontro com o Carlos.O vestido azul-acinzentado caía leve sobre o meu corpo, com um decote elegante, que desenhava a linha dos ombros, sem revelar demasiado. Solto, confortável, com movimento suficiente para me acompanhar. Queria sentir-me bonita, mas era sobre estar à altura do que eu própria começava a sentir.O cabelo solto, apenas com uma pequena pesilha lateral. Brincos discretos. O batom num tom suave que não gritava presença, mas ficava elegante.Sorri para o meu reflexo. “Isto vai impressionar o Carlos.” Senti um calor percorrer o meu corpo ao imaginar o nosso reencontro.O dia no atelier tinha sido pleno. As inscrições para a turma de aquarela para seniores estavam quase completas, e isso preenchia-me de uma alegria serena. Na semana seguinte começaríamos, e eu já preparava mentalmente a primeira sessão: a Primavera, as cores e as formas. Tinha até comentado a ideia
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