HellenHellen não costumava se atrasar, mas, naquela tarde, saiu de casa mais devagar do que o normal. Escolheu a roupa com um cuidado que não queria admitir, trocou a bolsa duas vezes e ainda assim teve a sensação incômoda de que nada estava exatamente certo. Chegou a experimentar outra blusa, mas desistiu no meio do caminho, ficando com a primeira escolha — a mesma que, em algum momento, ele já tinha elogiado. Percebeu isso tarde demais para mudar.O restaurante ficava a poucos minutos da empresa de Ana, um lugar discreto, mas sempre cheio no horário de almoço. Hellen já tinha ido ali outras vezes, quase sempre com ela. Era automático: sentar, pedir qualquer coisa, reclamar da vida e rir de assuntos que, fora daquele contexto, provavelmente nem teriam graça. Era simples. Ou costumava ser.Assim que empurrou a porta de vidro, foi atingida pelo som das conversas, talheres batendo nos pratos e pelo cheiro de comida quente misturado ao de café fresco, forte o suficiente para incomodar m
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