Cinco anos se passaram. O tempo não correu — ele amadureceu. Estou sentada na varanda da nossa casa na ilha, sentindo a brisa suave do fim de tarde tocar meu rosto. A madeira sob meus pés range levemente, um som familiar, confortável. A mão repousa sobre minha barriga grande, redonda, pesada de vida outra vez. Estou grávida de novo. Sorrio sozinha com esse pensamento. À minha frente, o mar se estende calmo, refletindo o céu em tons dourados e rosados. O mesmo mar que, anos atrás, me trouxe até aqui cheia de incertezas, hoje parece um velho amigo, silencioso e constante. Da cozinha, escuto risadinhas. — Não é assim, meu amor… devagar — a voz de Helena soa firme e carinhosa ao mesmo tempo. Nossa filha, agora com cinco anos, está lá dentro com ela, tentando — com muito entusiasmo e pouca coordenação — fazer cookies. Posso imaginar a cena sem precisar olhar: farinha espalhada pela bancada, mãos pequenas sujas de massa, Helena fingindo não ver a bagunça enquanto ensina com paciênci
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