Os dias não melhoraram de repente. Mas deixaram de doer o tempo todo. E, para Lívia… aquilo já era alguma coisa. A rotina na padaria era simples. Repetitiva. Cansativa. Mas ocupava a mente. E, às vezes, era disso que ela precisava. Não pensar. Não lembrar. Só fazer. — Bom dia, dona Marta. — Bom dia, minha filha. A resposta vinha sempre acompanhada de um olhar atento. Daqueles que enxergam mais do que se fala. — Dormiu? — Dormi. Meia verdade. Mas suficiente. Os clientes iam e vinham. Pedidos. Troco. Sorrisos educados. Conversas curtas. Vida comum. Distante demais da mansão. Distante demais dele. E, ainda assim— era ali que ela estava reconstruindo alguma coisa. Mesmo sem saber exatamente o quê. Eduardo não apareceu todos os dias. E isso fez diferença. Porque, quando aparecia— não parecia invasão. Parecia escolha. — Posso? Ele perguntou certa tarde, encostado no balcão. Lívia levantou os olhos. Surpresa. Mas não desconfortável. — Pode. Ele indic
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