A sala da diretora era silenciosa. Organizada. Funcional. Mas, naquele momento, carregava algo mais denso. — Infelizmente, você chegou um pouco tarde — disse a diretora, com gentileza contida. — A Lívia não está mais aqui. Eduardo manteve o olhar firme. — Ela foi adotada? — Não. — A mulher balançou a cabeça. — Ela cresceu aqui. E, assim que completou a maioridade, decidiu seguir a própria vida. Uma pausa. — Foi morar em uma pensão algumas ruas à frente. A informação caiu direta. Exata. Como ele precisava. — A senhora sabe onde fica? A diretora indicou o caminho com precisão. — Não é longe. Ela sempre foi muito independente… não quis se afastar tanto. Eduardo assentiu. — Obrigado. Perto dali, encostado discretamente à lateral da janela entreaberta da sala, Magno não se moveu. Ele não deveria estar ali. Mas ficou. E ouviu. Cada palavra. Pensão. Algumas ruas. Independente. Lívia. O coração dele acelerou. Forte. Quase descompassado. Ela estava perto. Tão pert
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