A interrupção foi como um balde de água gelada. Lorenzo já estava de pé, a pistola em punho, os olhos fixos no monitor que mostrava um furgão de entregas parado diante do portão de ferro. Eu me enrolei no roupão de seda, as mãos ainda trêmulas, o coração martelando contra as costelas não mais pelo desejo, mas pelo puro instinto de sobrevivência.— Lorenzo, o que é? — perguntei, a voz saindo em um sussurro tenso.Ele não respondeu de imediato. Seus dedos voaram pelo teclado, dando zoom na câmera da entrada. No monitor, dois homens uniformizados desciam do furgão carregando uma caixa de madeira imensa, talhada com o brasão dos Conti. Eles a deixaram no chão, fizeram um sinal para a câmera e partiram sem olhar para trás.— É o "presente" que o Enzo mencionou — Lorenzo disse, travando a arma, mas sem guardá-la. — Fique atrás de mim.
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