A sala de estar do casarão parecia ter ficado sem oxigênio. Zion continuava com os olhos fixos na minha mão espalmada sobre o ventre, a respiração dele pesada, compassada, como o mecanismo de uma bomba-relógio prestes a zerar. O silêncio que se instalou ali dentro era mais sufocante do que o barulho dos fuzis no asfalto. Eu conseguia ouvir as batidas desordenadas do meu próprio coração, um tambor de guerra ecoando nos meus ouvidos enquanto eu esperava pelo veredito do homem que comandava o morro.Ele se afastou lentamente, quebrando o contato físico, e se levantou. Zion caminhou até a imensa parede de vidro blindado, dando-me as costas. Suas mãos grandes, marcadas por cicatrizes de combates antigos, fecharam-se em punhos na altura da cintura. Eu via a tensão nos ombros dele, a rigidez de um homem que estava lutando contra os próprios demônios. Ele era o chefe da comunidade, o cara que ditava as regras da vida e da morte naquele complexo de vielas, mas ele também era o pai do Daniel. E
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