HELENA A atmosfera no tribunal era sufocante. Seis meses de espera culminaram naquela manhã ensolarada, onde o destino de Arthur Moreira seria selado. Eu estava impecável em um terno risca de giz azul-marinho, minha pasta carregada não apenas de documentos, mas de meses de investigação suja e minuciosa. O Coronel estava sentado na primeira fila da plateia, impecável em seu terno caro, observando com um sorriso cínico. Ao lado dele, a mãe de Rafael soluçava baixinho, um espetáculo preparado para mover o júri. Arthur foi trazido algemado, vestindo o uniforme da penitenciária. Nossos olhares se cruzaram e, por um segundo, a tensão diminuiu. Ele confiava em mim. O julgamento foi um teatro de horrores. A promotoria apresentou a arma personalizada, o depoimento da mãe de Rafael e uma testemunha ocular comprada pelo Coronel. Quando chegou a minha vez, levantei-me, caminhando calmamente em direção à tribuna. — Excelência, o que vemos aqui não é uma busca pela justiça, mas uma execução or
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