O silêncio da manhã parecia maior do que a casa. Não era o silêncio desconfortável de antes, quando cada um ocupava um espaço como quem mede território, mas um silêncio cheio de lembrança, como se o barulho das crianças ainda estivesse preso às paredes. A mesa do café estava posta como sempre, as xícaras alinhadas, o pão ainda quente sob o pano, e ainda assim havia algo diferente. Vitória mexia o café devagar demais, observando a fumaça subir e desaparecer antes de tocar o rosto, enquanto Rafael a observava por cima da própria xícara, avaliando não a rotina, mas a expressão dela. — Você está bem para voltar? — ele perguntou, sem especificar ao quê, mas ambos sabiam. Ela demorou um pouco antes de responder. Não porque não tivesse uma resposta, mas porque ainda estava tentando entender o que sentia. — Eu não sei como vai ser — admitiu. — Mas as crianças… deram energia. Foi como se a casa respirasse. Ele assentiu com leveza, sem transformar aquilo em algo maior do que era, embora tiv
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