Lívia percebeu que algo nela estava melhor naquela manhã, antes mesmo de conseguir explicar o porquê.Não era nada dramático, nenhuma grande revelação. Era apenas o corpo funcionando de novo, como uma engrenagem que, depois de dias rangendo, finalmente voltava a girar sem esforço.Acordou no horário habitual e conseguiu respirar sem sentir o aperto dentro do peito. Ficou feliz com a sensação de que o chão não iria ceder aos seus pés, embora o silêncio dentro dela ainda existisse, mas sem sufocar. Enquanto o café passava, apoiou as mãos na bancada e observou seu reflexo no vidro escuro do micro-ondas. Olheiras leves, cabelo preso de qualquer jeito, camiseta surrada. Riu de si mesma ao perceber o quanto parecia desengonçada. O café ficou pronto, e Lívia se deu conta de que estava com fome. Não aquela fome nervosa dos últimos dias, mas uma fome simples, prática. Pegou uma fatia de pão, passou manteiga sem pensar muito e se sentou à pequena mesa d
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