O palácio dos Valenti, agora a fortaleza de Donato, surgia no fim da avenida como um monumento ao roubo e à morte. O som da batalha em Palermo era um rugido constante, mas dentro do meu corpo, o silêncio era absoluto e aterrorizante.Enquanto corríamos sob o fogo cruzado, senti algo que não era o suor da batalha. Um calor úmido e viscoso escorreu pelas minhas pernas, contrastando com o frio da noite. Parei por um segundo, encostando-me a uma estátua decapitada, e levei a mão à parte interna da coxa, por baixo da farda.Quando puxei a mão, meus dedos estavam manchados de um vermelho escuro e brilhante.O mundo oscilou. O desespero, o primeiro medo real e paralisante desde que essa guerra começou, subiu pela minha garganta. Não era medo de morrer sob as balas de Donato; era o pavor de perder a única coisa que tornava minha vitória digna de ser vivida.— Cassandra! — O grito de Marco veio de algum lugar à minha direita. Ele se aproximou, usando seu corpo para bloquear a visão dos outros
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