Diante do tom da minha voz, Milena deu um passo involuntário para trás.A sua arrogância vacilou, e por um segundo, o silêncio que se instalou no quarto foi quebrado apenas pelo barulho da chuva que ainda insistia em açoitar as vidraças da sala. Ela me encarou, processando o peso das minhas palavras, com os olhos vermelhos e inchados tentando ler o que havia por trás do meu bloqueio.— O que aconteceu com você, Nicolas? — ela perguntou, num sussurro quase inaudível. — O que destruiu a sua vida?Travei o maxilar e mantive os olhos fixos nela. Eu não ia abrir aquela caixa. Não ia desenterrar os meus mortos para alimentar a curiosidade de uma protegida. Minhas cicatrizes pertenciam apenas a mim e ao meu inferno pessoal.Não respondi, apenas continuei parado, segurando o maldito pote de sorvete.Milena soltou um suspiro longo, a frustração se misturando com o cansaço do choro. Ela percebeu que não arrancaria nada de mim e lentamente, estendeu a mão na minha direção, com a palma virad
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