LENA BLACKWOODO corredor da mansão à noite era outro lugar.De dia tinha aquela luz natural que entrava pelas janelas altas e deixava tudo com aparência de editorial de revista cara. À noite, com as luzes do corredor no modo baixo, ficava diferente — mais estreito, mais sério, mais honesto sobre o que era: uma casa grande demais pra dois adultos e um bebê do tamanho de uma azeitona que ainda não tinha chegado.Desci a escada atrás de Vincent.Ele não pediu pra eu ficar.Eu não perguntei se podia vir.A gente estava aprendendo esses acordos silenciosos no ritmo que dava — às vezes errávamos, às vezes acertávamos, às vezes só existíamos no mesmo espaço sem saber ainda qual era a regra.Essa noite, eu vinha.Augusto estava na entrada.Terno igual ao da manhã — não o mesmo, impossível, mas da mesma família. Cabelo igual. Expressão igual. Como se as duas horas da madrugada não fossem diferentes das onze da manhã pra ele.Carregava uma pasta fina.— Desculpe o horário — ele disse, olhando
Leer más