Dois anos depois... Dois anos se passaram desde o dia em que entrei naquela sala de parto achando que poderia não voltar. Dois anos desde que segurei meu filho pela primeira vez e descobri, horas depois, que o tumor que ameaçava minha vida era benigno.Hoje o sol bate quente sobre a vila, e o vento levanta o pó da praça onde metade do povoado se reuniu. Estou de olho nos meus filhos: Cecília, que já tem oito anos, é a postura de quem acha que é adulta. E Alex — meu bebê grande, de pernas gorduchas e passos apressados, que corre atrás da irmã com a determinação de um pequeno guerreiro.— Cêci! Espera eu! — ele grita, tropeçando.Ela ri, aquele riso aberto que eu amo tanto, e olha para trás só para provocar.— Você é muito lento, Alex!Alex acelera e cai.Meu coração ainda dispara toda vez que ele cai. É automático. Um reflexo que ficou de tudo o que vivi.— Alex! — eu me abaixo antes mesmo de perceber.Mas ele já está sentado no chão, olhando para os próprios joelhos, como se estives
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