Saí da escola naquele dia com a sensação de que algo dentro de mim tinha se deslocado do lugar. Não era apenas o mal-estar físico, nem o constrangimento silencioso de ter passado mal diante de colegas.Era uma inquietação antiga, insistente, que vinha me acompanhando havia dias, talvez semanas, e que eu vinha empurrando para debaixo do tapete da rotina, fingindo que não existia.O portão da instituição se fechou atrás de mim com um estalo metálico. Caminhei até a calçada, respirei fundo e chamei um carro de aplicativo. Enquanto aguardava, minha mão foi instintivamente até o ventre. Não havia dor naquele momento, apenas uma estranheza, uma presença silenciosa que eu não sabia explicar.Durante o trajeto, encostei a cabeça no vidro da janela e observei a cidade passar. Pensei em Adriano, contra minha vontade. O carro parou em frente ao laboratório de análises clínicas. Desci devagar, paguei a corrida e fiquei alguns segundos parada na calçada, olhando para a fachada branca, limpa, impe
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