O silêncio dentro do galpão não era apenas ausência de som; era uma presença viva, pesada, que parecia se infiltrar nos pulmões e tornar cada respiração mais difícil. A lâmpada solitária pendurada no teto balançava lentamente, lançando sombras distorcidas pelas paredes de madeira envelhecida, como se o próprio lugar testemunhasse aquilo que estava prestes a acontecer. O ar tinha cheiro de ferro, terra úmida e algo mais profundo, algo que lembrava o gosto amargo da traição.Aurora estava presa no centro do galpão, com os pulsos acorrentados acima da cabeça, o corpo inclinado para frente pelo peso das correntes. Seu cabelo caía desordenado sobre o rosto, e havia um traço de sangue seco no canto de seus lábios. Mesmo naquele estado, algo em sua postura ainda transmitia uma estranha dignidade, como se ela se recusasse a se curvar completamente diante da situação.Fiquei alguns passos afastado, observando-a em silêncio, tentando reconciliar a imagem daquela prisioneira com a garota que hav
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