RUBI MONTENEGRO Encarar Camila daquele jeito... destruída, desesperada e, ainda assim, exigindo coisas de mim com a sua velha arrogância disfarçada, foi uma experiência libertadora e asquerosa ao mesmo tempo. A tristeza que senti não era por ela, mas pela constatação definitiva do tipo de monstros com os quais eu havia crescido. — Você tem muita cara de pau, Camila. — Ela parou de soluçar por um segundo, os olhos arregalados, chocada por eu não ter corrido para abrir os portões e consolá-la. — Depois de tudo o que você e os nossos pais me fizeram a vida inteira... — continuei, dando um passo à frente. — As humilhações constantes, os abusos psicológicos, a forma como me venderam em um contrato para pagar as dívidas de vocês. E agora você vem até a minha casa exigir que eu te dê dinheiro e um teto? — Rubi, nós temos o mesmo sangue! — ela gritou, apertando as grades. — O sangue não significa absolutamente nada quando parentes só te fazem mal. — cortei, sem alterar o meu tom de voz. —
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