O corredor do fórum era mais estreito do que Natália imaginava.Não fisicamente — emocionalmente.Cada passo ecoava como se lembrasse que, dali em diante, nada poderia ser desdito. Nicolas caminhava ao lado dela, postura firme, mas o olhar atento demais para quem estava acostumado a controlar ambientes.— Você ainda pode recuar — ele disse, baixo. — Ninguém te culparia.Natália parou.— Eu me culparia — respondeu.Eles seguiram.O depoimento não foi teatral. Não houve lágrimas calculadas nem frases de impacto. Apenas fatos. Datas. Reuniões. Pressões indiretas. Silêncios impostos.Quando terminou, Natália sentiu o corpo cansar de uma vez só.Na saída, Laura os aguardava.— Ele pediu conversa — disse, direta.— Henrique? — Nicolas perguntou.— Advogados — ela corrigiu. — Bastidores.Natália respirou fundo.— Agora?— Agora — Laura respondeu. — Antes que a narrativa se solidifique.Em uma sala neutra, sem janelas, o clima era denso.Do outro lado da mesa, dois homens de terno. Nenhum de
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